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02/07/2026
A miopia em marketing continua atual?

O alerta de Theodore Levitt segue mais relevante do que nunca.


Em 1960, Theodore Levitt publicou um texto que se tornaria referência no marketing: “Marketing Myopia”. A ideia central era simples, mas poderosa e continua sendo um dos alertas mais importantes para empresas de qualquer porte.

Levitt mostrava que muitas organizações falham não porque têm um produto ruim, mas porque passam a enxergar o negócio de forma limitada. Elas deixam de olhar para a necessidade real do cliente e passam a defender apenas aquilo que produzem.

Ou seja: a empresa para de vender solução e começa a vender o próprio formato.

E é justamente por isso que esse conceito continua atual.

O erro de olhar só para o que se faz
A miopia em marketing acontece quando uma empresa se define apenas pelo produto ou pelo serviço que entrega, e não pela necessidade que resolve.

Na prática, isso significa que a empresa deixa de vender valor e passa a vender categoria.

Uma montadora deixa de vender mobilidade e passa a vender carros.
Uma editora deixa de vender informação e passa a vender revistas.
Uma indústria deixa de vender capacidade de transformação e passa a defender apenas matérias-primas.
Esse deslocamento parece sutil, mas muda tudo.

Quando uma marca passa a enxergar o negócio apenas pelo que produz, ela corre o risco de perder a leitura do mercado, da mudança de comportamento do consumidor e das novas formas de entregar valor.

Por que esse conceito continua tão atual?
Se em 1960 o problema já existia, hoje ele se tornou ainda mais complexo.

Com a velocidade da transformação digital, novas plataformas, inteligência artificial, mudanças de consumo e excesso de informação, muitas empresas acabam ficando presas ao passado da própria definição.

A miopia aparece quando a marca:

  • acredita que o canal é a estratégia;
  • confunde presença com relevância;
  • mede sucesso só por volume e não por resultado;
  • insiste em proteger o formato, em vez de evoluir a proposta;
  • comunica o que faz, mas não o que resolve.

Esse é um erro comum em negócios que crescem rápido demais ou que passam muito tempo olhando para dentro.

O marketing, no entanto, não começa no produto.
Começa na leitura do contexto.

O cliente não compra o que você faz, ele compra o que isso resolve

Essa talvez seja a parte mais importante da ideia de Levitt.

Uma empresa pode vender tráfego, social media, branding, desenvolvimento, consultoria, software, logística ou indústria. Mas, no fim, o que o cliente compra não é apenas aquilo.

Ele compra:

  • crescimento;
  • clareza;
  • praticidade;
  • previsibilidade;
  • segurança;
  • resultado;
  • tempo;
  • direção.

 Quando uma marca entende isso, ela deixa de falar apenas sobre si mesma e passa a conversar com o que realmente importa para o mercado.

E é aí que o marketing deixa de ser operação e passa a ser estratégia.

Miopia em marketing também é um problema de posicionamento
Muitas empresas não sofrem por falta de entrega.
Sofrem por falta de clareza.

Elas sabem fazer muita coisa, mas não conseguem comunicar com precisão:

  • o que fazem melhor;
  • para quem fazem;
  • por que isso importa;
  • em que contexto são a melhor escolha.

Quando isso acontece, a marca perde força.

Porque no mercado atual não basta ser competente.
É preciso ser percebido com clareza.

E clareza, no marketing, vale tanto quanto performance.

O que empresas fortes fazem diferente
Empresas que evitam a miopia de marketing normalmente compartilham algumas atitudes:

  • olham para o cliente antes de olhar para o produto;
  • entendem a dor real antes de definir a solução;
  • acompanham o comportamento do mercado;
  • adaptam seu discurso conforme a necessidade do público;
  • não se prendem ao formato antigo só porque ele funcionou no passado.

Essas empresas sabem que o marketing não é uma defesa do que já existe.
É uma construção contínua de relevância.

O que Theodore Levitt ainda nos ensina hoje
A grande lição de Levitt continua simples:

o problema nunca foi apenas o que a empresa faz. Quase sempre, o problema é o que ela deixou de enxergar.

Essa frase resume bem o desafio de muitas marcas hoje.

O mercado muda, os canais mudam, as ferramentas mudam, mas a tendência de olhar só para o próprio modelo continua derrubando negócios.

Por isso, repensar marketing é também repensar visão.

É perguntar:

  • estamos vendendo produto ou resolvendo uma necessidade?
  • estamos defendendo um formato ou criando valor?
  • estamos falando sobre nós ou sobre o que o cliente realmente precisa?

As respostas para essas perguntas dizem muito sobre o futuro de uma marca.

Conclusão

A miopia em marketing continua atual porque o grande risco das empresas nunca foi apenas a falta de produto, serviço ou tecnologia.

O risco real é outro: deixar de enxergar o mercado com profundidade.

E, em um cenário onde atenção é disputada a cada segundo, marcas que enxergam melhor tendem a crescer melhor.

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